Cuidado Farmacêutico

A aprovação da Lei 13.021/14 abriu caminho para que os farmacêuticos se apropriassem da condição de promotores de saúde dentro dos estabelecimentos. No último ano, vários profissionais abriram seus próprios consultórios e estão prestando Atenção Farmacêutica individualizada aos seus clientes. Uma delas é Cristiane Aparecida Coelho, proprietária de uma drogaria em Barbacena, na região Central do Estado. Depois de identificar a demanda e se preparar para a nova tarefa, ela inaugurou um consultório para melhor orientar os pacientes no início de 2015.
Farmacêutico
“Muitas pessoas me procuravam no balcão pedindo explicações sobre os medicamentos em uso ou prescritos recentemente. Percebi que essa prática não poderia ser feita diante de outros clientes, pois muitos me questionavam sobre atraso menstrual, anticoncepcionais e outros assuntos que os deixavam constrangidos de se expor na frente dos outros”. Ela adequou uma sala da drogaria com móveis de escritório e computador. Os atendimentos, que começaram com alguns clientes específicos, rapidamente foram ampliados para todos os interessados mediante marcação prévia.

Segundo a farmacêutica, na consulta é feita uma anamnese do paciente. Depois, ela afere a pressão e faz o teste de glicemia, quando necessário. “O paciente sai com um cartão de controle e a próxima consulta já agendada. É muito prazeroso quando ele volta e diz que o tratamento deu certo. A maioria mantém a pressão arterial controlada, assim como o diabetes e o colesterol”, conta Cristiane, orgulhosa.

Para ter condições de atender em consultório, a farmacêutica afirma que foi poreciso muito preparo profissional. “Busquei muita bagagem antes de começar. Estudei a Lei 13.021/14, a Resolução 586/13, a Resolução 585/13, a RDC 44 e, é claro, fui tirando várias dúvidas com o CRF/MG. Hoje, curso pós-graduação em Farmácia Clínica e Prescrição Farmacêutica”. Por ser uma atividade nova, Cristiane optou por não cobrar pelos atendimentos. Mas ela garante que o retorno financeiro da iniciativa é positivo. “Atrás de um atendimento sempre vem uma receita a ser aviada”, garante.

Cristiane afirma que mantém boa relação não só com os clientes, mas também com os prescritores. “Os pacientes levam para os médicos as minhas orientações e eles decidem qual a melhor conduta a tomar. Em muitos casos, principalmente quando o cliente é idoso, faço no meu receituário um relato de todas as queixas dele, medicamentos utilizados e, quando possível, um comparativo da terapia e resultados laboratoriais. Esse trabalho tem dado resultados fantásticos. Inclusive, já recebi um ‘parabéns pela iniciativa’ de um dos médicos”.

Ela incentiva os profissionais farmacêuticos a seguirem o mesmo caminho. “Vivenciamos um momento em que a farmácia não é mais só um comércio. Eu prezo o contato direto com o paciente, alguns minutinhos de conversa, tirar dúvidas e dar orientações necessárias. Já deixamos de ser simplesmente farmacêuticos para sermos orientadores e praticarmos a Atenção e a Assistência Farmacêutica de modo individualizado”.

Fonte: crfmg